Felipe Alves de Macedo, o Filipinho, deixou a Terra. Foi ao encontro de seus companheiros de luta no Araguaia: Raimundo Ferreira Lima (Gringo), João Canuto, Expedito Ribeiro e tantos outros bravos camponeses que lutaram e tombaram na luta pelo direito de viver e produzir no campo. Dedicou seus 81 anos de vida ao cultivo da terra como animador de comunidade, na organização e resistência dos lavradores, em Conceição do Araguaia.
Filipinho foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia, dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-Pará) e membro do Partido dos Trabalhadores. Viveu parte de sua vida sob ameaça de pistoleiros a serviço do latifúndio.
O ex-dirigente do STTR fez parte de uma lista de “marcados para morrer”. O repórter-fotográfico João Roberto Ripper, que integrou a agência F-4, fez um registro, em 1980, com seis pessoas ameaçadas: Maria da Guia, Josimar, Filipinho, Oneide Lima (viúva do Gringo), Luiz Lopes e João Pereira.
O jornalista, em entrevista a um jornal do Estado do Tocantins (novembro de 2015) desabafou: "A regra que eu percebo é que as histórias das populações menos favorecidas são contadas, mas não é editada a beleza das histórias. Então, só se conta delas histórias da ausência de quase tudo ou da presença da violência. Uma violência onde na maioria das vezes são vítimas, mas aparecem como protagonistas. Então, quando você conta outras histórias, você até chega perto da história da humanidade”. https://regataocultural.blogspot.com/2016/06/historia-dos-invisiveis.html
Luiz Lopes (que aparece na foto de braços com Oneide) foi assassinado em 15 de junho de 2009. Posseiro da Colônia São José dos Três Morros, ele liderou a criação da Liga Camponesa dos Pobres (LCP), em Conceição do Araguaia, na região do Batente.
Filipinho, que na foto de Ripper, está à esquerda de Oneide, era muito estimado pelo ex-padre Ricardo Rezende, que assim se manifestou sobre a morte do líder rural:
“Boas lembranças do animador das comunidades e da liderança sindical nos tempos turvos da ditadura, onde as garras da morte matada nos espreitavam a todos. Onde o gatilho das armas dos senhores das terras e da violência passeavam sua impunidade e tornavam a vida mais difícil”.
Siga na luz, Filipinho.
Atendendo ao pedido de várias pessoas, publico abaixo o artigo apresentado em 2005, em Novo Hamburgo (RS), no 3º Encontro Nacional da Rede Alfredo Carvalho (Rede Alcar), no GT sobre História do Rádio. Após o regatão, o rádio e a televisão Paulo Roberto Ferreira Resumo: A primeira emissora de rádio surgiu na Amazônia em 1928. Foi a Rádio Clube do Pará, em Belém, que teve um papel muito importante como veículo de integração. Antes do rádio, o contato entre o homem do interior da região e o mundo urbano, era feito pelo barco que abastecia os seringais e pequenas povoações com suas mercadorias. A “casa aviadora” ou “regatão” quebrava o isolamento e levava também as cartas dos parentes que viviam nas localidades, às margens dos rios. A televisão só chegou em 1961. Em Manaus muita gente captava o sinal de uma emissora da Venezuela, antes da chegada da primeira TV local. Mas, ainda hoje, na era da comunicação digital, o rádio cumpre importante papel na Amazônia, já que naquele imenso...



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