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Cerco e resistência

O ancião sabia que o quinhão iria acabar. Que aquela onda iria passar. Quando a terra não fosse mais obstáculo aos projetos dos brancos, a fonte de recursos estaria seca. E as castanheiras, cortadas para a passagem da rodovia, da ferrovia e do linhão de energia, fariam muita falta. Mas essas reflexões não eram acolhidas pelos jovens líderes. (...) O tempo passou, o velho cacique viajou para outra dimensão e começou um novo ciclo para o seu povo. Os investimentos feitos pelos jovens caciques fracassaram, vieram dívidas e privações para a comunidade. O trabalho de coleta de castanha voltou, novamente, a ser feito pelos índios, que também retornaram a discutir coletivamente os problemas e desafios que teriam que enfrentar nos anos seguintes. (...) A neta do velho cacique, Naruna, passou a se destacar nas reuniões. Fala mansa e tranquila, a jovem sabia argumentar com firmeza e mansidão contra o que discordava. E apresentava raciocínios sólidos e consistentes quando justificava um caminho mais coerente com o modo de ser dos povos originários. (...) Este conto na íntegra está no livro Mosaico Amazônico. Editora Paka-Tatu - Click no link

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