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Recrudescimento da violência no campo

Em 10 de dezembro de 1984 publiquei no jornal O Liberal, onde trabalhava, uma reportagem sobre a violência no campo, fruto de um seminário, realizado em Xinguara, sobre os 20 anos do Estatuto da Terra, que servia apenas para legitimar a concentração da terra e do latifúndio. A ditadura militar estava chegado ao fim e os conflitos fundiários se agudizavam, conjuntura semelhante a esta que estamos vivendo desde maio de 2016, quando um novo golpe foi implantado, agora sem a força das armas, mas produto de uma articulação que envolve o Congresso Nacional (o mais conservador dos últimos anos); a mídia hegemônica; e boa parte o judiciário brasileiro. A tentativa de reduzir os direitos trabalhistas e flexibilizar a venda de terras para estrangeiros, bem como vários retrocessos na política de regularização fundiária, proporcionaram um recrudescimento das mortes no campo. O assassinato da líder do Assentamento 1º de Janeiro, em Castanhal, Kátia Amorim, é um exemplo dessa explosão dos conflitos pela posse e uso da terra. Os números de 2016 são chocantes: 61 assassinatos; 1.079 ocorrências de conflitos por terra; e 172 conflitos pela água.

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