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A LENTA MORTE DOS ENGENHOS

Em maio de 1991 encontrei o amigo e repórter-fotográfico, Paulo Santos. Fazia algum tempo que estávamos fora do ambiente de redação de jornal, onde havíamos trabalhado em duas oportunidades: no “Resistência” e em “O Liberal”, ambos de Belém. Durante o almoço decidimos programar uma matéria sobre a memória dos engenhos de cana de açúcar que produziam, aguardente, rapadura e açúcar mascavo no Baixo-Tocantins. Nosso destino foi o município de Igarapé-Miri, mais precisamente a Vila Maiauatá. Pegamos um barco e descemos o rio Igarapé-Miri e alguns de seus afluentes. Conhecemos as ruinas de alguns engenhos e conversamos com muita gente que trabalhou, forneceu cana e viveu os dias de plena produção como também a fase de declínio daquela atividade. Quando voltamos para Belém, enquanto o Paulo Santos abria contato com o Roberto Jares Martins, superintendente do jornal A Província do Pará, eu ampliei a matéria ouvindo empresários que migraram daquele setor para o comércio de alimentos em Belém. E também o economista José Marcelino Monteiro, que havia sido meu professor no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA/UFPA). Ouvi também a pesquisadora Leila Mourão, da UFPA, que resgatou as origens da indústria manufatureira no Pará, no século 17 (entre 1662 e 1667). O material cresceu e então decidimos publicar uma série, durante três domingos seguidos: 9, 16 e 23 de junho de 1991. O título foi: “A lenta morte dos engenhos”. Este material já foi utilizado por vários estudiosos em diversos trabalhos acadêmicos e já faz parte de um pedaço da história da indústria regional antes da abertura da rodovia Belém-Brasília. Mostra ainda um tempo em que os jornais brindavam seus leitores com grandes reportagens aos domingos. Abaixo algumas fotos do belo trabalho do Paulo Santos/Videfoto e as três páginas de A Província do Pará.

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