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História dos invisíveis

No final das décadas de 1970 e 1980 a luta pela posse e uso da terra na Amazônia marcou muita gente. João Roberto Ripper, um jovem repórter-fotográfico da Agência F4, deixou o conforto das redações de grandes jornais, no Rio de Janeiro, e veio acompanhar os conflitos provocados pelas grilagens de terra e a consequente luta de resistência dos camponeses da região. Na foto, que deixou no acervo do jornal alternativo "Resistência", editado em Belém, Ripper documentou seis lideranças ameaçadas de morte no Sul do Pará. Oneide Lima (de calça), viúva de Raimundo Ferreira Lima (O Gringo), assassinado pelos pistoleiros do latifúndio, estava no olho do furacão, junto com Filipinho, que vestia a camisa do 25 de julho (Dia do Lavrador). Em novembro de 2015, Ripper, em entrevista a um jornal do Estado do Tocantins, definiu bem a essência do seu trabalho de resgaste do ser humano, excluído e invisibilizado pela velha mídia: "A regra que eu percebo é que as histórias das populações menos favorecidas são contadas, mas não é editada a beleza das histórias. Então, só se conta delas histórias da ausência de quase tudo ou da presença da violência. Uma violência onde na maioria das vezes são vítimas, mas aparecem como protagonistas. Então, quando você conta outras histórias, você até chega perto da história da humanidade (João Roberto Ripper, em entrevista para O Jornal do Tocantins e compartilhado no NPC – Núcleo Piratininga de Comunicação)".

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