Pular para o conteúdo principal

Postagens

A trajetória de uma grande liderança camponesa

Hoje, 25 de julho, marca o Dia do Lavrador. Um dia de refletir sobre a importância do trabalhador e da trabalhadora da terra. Gente que produz alimentos para a mesa de todos. Que planta e cria. Especialmente os que integram a agricultura familiar. Para homenagear esse segmento social destaco a figura de uma grande liderança camponesa que dedica a sua vida à organização dos trabalhadores do campo. Avelino Ganzer, um gaúcho de Iraí (RS), instalado nas margens da rodovia Transamazônica, nos anos 1970, forjou-se na luta de resistência, ainda durante o regime militar, ajudando a construir delegacias sindicais e na pauta pelo direito de produzir. Do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santarém (PA), Avelino se destacou como liderança no movimento que articulava a criação de uma central sindical nacional, unindo trabalhadores urbanos e rurais. Ajudou na fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e integrou a primeira direção da entidade, logo no início dos anos 1980. Daí em diante t...

João Maria, missionário dos direitos humanos

Passou um filme pela minha cabeça ao tomar conhecimento do falecimento, hoje (02/07/20 ), do Padre João Maria Van Doren, 89 anos, missionário holandês da Congregação dos Crúzios, que chegou a Belém na década de 1960. Convivi com ele na igreja de Nossa Senhora Aparecida, em Belém, a partir de 1978. Era homem de diálogo fácil, fala mansa e de muita habilidade na condução dos temas espinhosos da época da ditadura militar de 1964. Conseguiu convenceu o Conselho Paroquia a ceder um espaço, nos altos do salão anexo à igreja, para abrigar a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos humanos (SDDH), que ele ajudara a fundar em agosto de 1977. Foi ali, no salão da sua paróquia, que se reuniram as lideranças que fundaram a Comissão dos Bairros de Belém (CBB); de oposições sindicais; e as assembleias da própria SDDH e seus núcleos: de Imprensa (Jornal Resistência), Anistia e Jurídico. João Maria levou à risca a opção preferencial pelos pobres que a igreja católica fez a partir do Concílio Vatican...

Curt Nimuendajú - o alemão que virou índio

Seguindo o exemplo do amigo Alexandre Velozo, publicarei, sempre que possível, uma homenagem a grandes vultos da história brasileira que nos legaram importantes exemplos de vida, luta, resistência e também na produção de estudos e trabalhos para o conhecimento científico. Hoje o nosso homenageado é o Kurt Unckel, alemão de nascimento, naturalizado brasileiro como Curt Nimuendajú (aquele que faz sua morada), como o chamavam os índios, que o adotaram como um dos seus iguais. Deixou uma herança que o fez conhecido no mundo científico como o pai da etnologia no Brasil e pioneiro da linguística. No Parque Zoobotânico do Museu Emílio Goeldi tem um monumento a Nimuendajú e sua cripta está no Cemitério do Redentor em São Paulo. Mais informações no link do site da Deutsche Welle, emissora internacional da Alemanha que produz jornalismo independente em 30 idiomas: Segue também o link do programa “Sustentabilidade”, apresentado pelo cacique Robson Miguel, cujo título é: Curt “Nimuendajú” Unke...

Coronavírus atinge as comunidades indígenas

O coronavírus está fazendo estrago às comunidades indígenas. O sucateamento da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) torna os povos originários mais vulneráveis à covid19. Há mais de 30 anos a pauta daquelas comunidades era a proteção do seu território e também a assistência médica e sanitária aos índios. Em 1984 estive na aldeia Kokraimoro, em São Félix do Xingu. E em 1986 conversei, em Altamira, com lideranças do povo Assurini, da Terra Indígena Koatinemo, localizada entre os municípios de Altamira e Senador José Porfírio (fotos: Oldemar Alves). Torço para que as medidas aprovadas, esta semana, pelo Congresso Nacional (Plano Emergencial para Enfrentamento à Covid-19) que incluem ações emergenciais aos povos indígenas, quilombolas e outras populações tradicionais sejam implantadas o mais rápido possível.

A importância do leitor atento

Este ano de 2020 completei 45 anos de jornalismo. Iniciei na imprensa alternativa, no jornal “Bandeira 3”, editado por Lúcio Flávio Pinto. Em 1976 fui para a grande imprensa, ingressando na redação de O Liberal, onde publiquei minha primeira matéria assinada: “Tomé-Açu em busca de uma alternativa”. A reportagem, com fotos do veterano Raimundo Favacho, mostrava o impacto da fusariose, doença que dizimou o plantio de pimenta-do-reino no vale do Acará. Naquela época, os jornais disputavam a preferência do leitor pautando temas fora do cotidiano, especialmente nas edições de domingo. O termômetro que media a recepção do conteúdo eram as cartas, o aumento da venda avulsa e, em alguns casos, a inserção de matérias nos anais das casas legislativas. Às vezes, os textos, fotos e ilustrações, provocavam reações de autoridades, lideranças comunitárias, empresariais, etc e permitiam uma suíte, que no jargão jornalístico significa explorar o desdobramento de uma notícia ou reportagem. Em 9 de a...

Ditadura escondeu surto de meningite na década de 1970

A tentativa de esconder os números da evolução da Covid19 lembra o episódio da censura que a Ditadura Civil-Militar de 1964 impôs à mídia, por ocasião do surto de meningite no Brasil, na década de 1970, conforme a matéria “Meningite, a epidemia que a ditadura não conseguiu esconder”, publicada no site do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (https://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Revista&id=216). E também o material do portal UOL “Surto de meningite na década de 70: o desastre da ditadura militar brasileira” https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/surto-de-meningite-na-decada-de-70-o-desastre-da-ditadura-militar-brasileira.phtml. Tratei deste tema no meu livro “A Censura no Pará – a mordaça a partir de 1964”, publicado em 2015 pela editora Paka-Tatu. A partir da página 146, com o subtítulo “No microscópio do Exército”, conto o caso envolvendo o jogador de futebol Oliveira Pipoca, da Tuna Luso Brasileira, que morreu em 1975, em Belém, de uma doe...

Bruno Sechi também defendeu a reforma agrária, combateu a violência no campo e foi solidário com os padres e posseiros do Araguaia

A luta e empenho do Padre Bruno Sechi pelo direito da criança e do adolescente marcou sua trajetória de vida. Deixou uma obra extraordinária de respeito, acolhimento e orientação às crianças pobres da periferia de Belém. Sua morte, na última sexta-feira (29/06/20), comoveu a população da cidade. Seu espírito humanista norteou também sua atuação em outras áreas da igreja católica, como por exemplo, na Comissão Arquidiocesana, onde atuou com muita firmeza na defesa dos interesses dos camponeses e da ação pastoral da chamada ala progressista do clero brasileiro, identificada com as orientações do Concílio Vaticano II, que “proclamou a necessidade de mudanças nas estruturas de um sistema gerador de injustiças sociais". Italiano da região da Sardenha, Bruno nasceu em 1939 e se naturalizou brasileiro logo que chegou ao Brasil, no final da 1960. Liderou um grupo de jovens na organização da República do Pequeno Vendedor, em solidariedade às crianças que trabalhavam no mercado do Ver-O-...