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Pela Rota dos Espanhóis

Paulo Roberto Ferreira Um fez o Caminho de Santiago de Compostela (José). O outro o Caminho da Fé (João Batista). Seus relatos vibrantes e carregados nos detalhes sobre paisagens, solidariedade entre os caminhantes e hospedarias simples me despertaram o interesse em fazer a mesma trajetória. Mas descobri que ambos planejavam estimular e realizar rotas regionais. A conversa evoluiu, minha mulher viajou na proposta, chamamos mais pessoas e partimos para o planejamento da primeira caminhada. Assim surgiu a “Rota dos Espanhóis”, uma proposta do amigo José Maria Quadros de Alencar, que já tinha feito, sozinho, a caminhada de Benjamin Constant (Bragança) a São Braz (Belém). E mapeado todo o roteiro para o Caminho da Estrada de Ferro de Bragança (EFB). Como a maioria dos caminheiros era estreante, a opção foi fazer um caminho menor, de 25 quilômetros, por ocasião da festa do santo catalão, São Raimundo Nonato, padroeiro da Colônia Agrícola Benjamin Constant, um ramal do trem da EFB. A conce...

“O Estranho Peixe que Pulou”

Domingo é dia de abrir a Caixa de Relíquias. Hoje reli uma matéria publicada há 39 anos nas páginas do jornal “Resistência”. O texto é da Jeanne Marie e foi publicado na página 16 da edição 36 (abril/1982). “O estranho Milton que pintou” revela a opinião do jovem de 19 anos, Milton Cunha Júnior, aluno de psicologia, que causou uma grande vibração no mundo cultural de Belém com sua primeira experiência de direção e atuação de seu texto de teatro: “O Estranho Peixe que Pulou”. O espetáculo foi encenado no teatro “Waldemar Henrique” em dezembro de 1981. “Para alguns, estranho demais. Para outros, foi um dos melhores espetáculos que já pintou em Belém”, escreveu Jeanne Marie. A crítica do jornal O Liberal considerou Milton “a revelação do ano” e seu espetáculo, a melhor peça de teatro adulto da cidade. Milton fala de sua trajetória, sua inspiração para compor as personagens da peça e encerra a entrevista com a seguinte frase: “o novo sempre amedronta, sobretudo numa terra onde se acredi...

Acontece cada uma!

Acontece cada situação inusitada em nossas vidas! Nesta semana o meu filho teve que enfrentar a incômoda presença de uma rã dentro do carro. Foi uma luta para se livrar do anfíbio, desde o início da manhã. Tentou de todo jeito, mas o pequeno animal saltava e se esquivava do perseguidor. Sem outro jeito, foi deixando passar as horas, até que já no início da noite, quando retornava para casa, deu carona para sua prima, que quando se deu conta da presença da indesejável passageira, fez o maior barulho, mandou parar o carro e saiu gritado: - Mata, Tiago, mata, mata... Um grupo de pessoas que caminhava no passeio, ficou assustado, parou e ficou olhando a moça assombrada e descabelada que não parava de repetir a frase. Com a porta aberta, o condutor do veículo conseguiu afugentar a perereca, que saltou para fora do carro e caiu justamente em cima da jovem. Ela se apavorou mais ainda e soltou todos os palavrões que lhe vieram à boca, contra o inofensivo caçote. Os transeuntes continuaram as...

O Apagador de Florestas - Resenha

Armando Diniz Guerra Prof. Dr. do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares/UFPA Conheci Paulo Roberto Ferreira nos finais dos anos 80 do século passado, nos corredores do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, o NAEA da Universidade Federal do Pará. Fazíamos o Mestrado em Planejamento do Desenvolvimento em turmas diferentes, mas sabíamos dos projetos uns dos outros. Ele fazia algo ligado ao trabalho assalariado, não me lembro mais sob que orientador. Depois ouvi muito falar bem dele pela professora Violeta Loureiro, por conta dele lhe ter cedido todas as entrevistas que fizera com Quintino, camponês justiceiro da região de Viseu, abatido pelas forças policiais do então Governador Jader Barbalho. Voltei a encontrá-lo trabalhando na TV Cultura do Pará e encontrei, na Biblioteca da Embrapa, seu livro sobre Felisberto Camargo. Depois disso assisti, na TV Cultura, uma longa entrevista feita por ele a Emeleocípio Botelho de Andrade, ex-chefe da Embrapa Trópicos Úmidos, sobre o mesmo ...

Mausoléu do Bondinho

Em ano de eleição municipal a expectativa era grande. Tinha até bolão para saber quem acertava o resultado: liberação ou manutenção do aprisionado bondinho. Tinha sempre um candidato que prometia alforriar o vagão turístico; contava com muitos simpatizantes e aparecia bem na corrida em busca de votos. De outro lado, muitos eleitores apoiavam o postulante que anunciava manter o bondinho encarcerado. O tema dividia a cidade em duas grandes torcidas, semelhante aos clássicos de futebol: Palmeiras e Corinthians; Vasco e Flamengo; Grêmio e Internacional; e Remo e Paysandu. Na pauta das eleições, os outros problemas da cidade eram tratados de forma secundária. O que mobilizava, o que atiçava mesmo os militantes dos partidos era o destino do bondinho. Os discursos polarizavam-se: contra e a favor da circulação do veículo. Formaram-se as torcidas organizadas. Paixão do Bondinho, Nação James Bond eram as dos fanáticos pela liberação do veículo. A favor do enclausuramento, a Charanga da Masmo...

Lei Anilzinho – a lei do posseiro - Experiência de resistência dos camponeses do Baixo Tocantins

A organização dos trabalhadores rurais no Pará criou uma lei que não passou por nenhum parlamento oficial nem foi promulgada por qualquer representante do poder executivo. Foi aprovada pelos lavradores e cumprida por eles mesmos. Virou uma referência para o movimento de luta pela terra no Brasil. A “Lei Anilzinho”, foi instituída num encontro na localidade de Anilzinho, município de Baião, na região do Baixo-Tocantins, nos dias 8 e 9 de julho de 1980. O evento reuniu lideranças de posseiros e pequenos produtores e estabeleceu as regras para resistir e lutar contra os grileiros, que expulsavam e tomavam conta das terras. O registro deste acontecimento foi feito no jornal “Resistência”, edição número 15, de agosto de 1980. A matéria foi escrita por José Maria Souza, professor da UFPA e assessor da Fase Amazônia Oriental. Ilustrada por Lucídio Oliveira Monteiro a narrativa revela que grileiros de terra expulsaram diversas famílias de agricultores que viviam, em sucessivas gerações, em to...