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A maré, o homem e o cão

Quem determina o horário de descer do Rancho é a maré. Quando a água está alta, o cão tem que controlar a ansiedade de pular, cheirar e fazer festa pro seu dono. O pescador não tem pressa, retira a água da canoa pra poder recolher o peixe do curral. Na volta, certamente fará um afago em seu fiel amigo e companheiro do Delta do Inajá, São João de Pirabas (PA). E a vida segue seu ritmo naquele mundo das águas. Foto e texto : Paulo Roberto Ferreira.

Batalha de urina

Crônica publicada originalmente no dia 18 de abril de 2015 no portal Oestadonet. Paulo Roberto Ferreira ****************** Hoje é dia de clássico no futebol da Amazônia. Remo e Paysandu se enfrentam pela Copa Verde. O estádio Edgar Proença, o famoso Mangueirão, vai receber em torno de 30 mil torcedores, enquanto um número três vezes maior assiste ao jogo nas casas e nos bares que dispõem de TV por assinatura. A disputa mexe com todo mundo. Rara é a família que só tem torcedor de um clube. Muitos levam na esportiva as gozações dos familiares e amigos. Outros reagem com violência e acabam criando inimizade por causa, justamente, do esporte, que surgiu na Grécia como uma oportunidade de trégua entre as guerras. O esporte tem essa capacidade de juntar pessoas das mais diferentes posições políticas e ideológicas na mesma arquibancada. É curioso como os torcedores dos dois clubes unem-se na frente do Mangueirão, antes do jogo, para comer churrasquinho, ou comprar bebida. Já depois da ...

Escritores tomam posse na Academia de Letras de Ananindeua

Na próxima quarta-feira, dia 19, às 19 horas, 20 acadêmicos tomarão posse em suas cadeiras na Academia de Letras de Ananindeua (Alanin), fundada no dia 26 de setembro do ano passado. O evento vai acontecer no auditório 03 da Unama – Campus BR. Dois palestrantes vão falar sobre as figuras de Dalcídio Jurandir, patrono-geral e Felipa Aranha, patronesse geral da Alanin. Dalcídio Jurandir, nasceu em Ponta de Pedras, no Marajó, é autor de 11 romances e sua obra recebeu o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras. Felipa Aranha foi uma líder quilombola que liderou a liberação de centenas de escravos na região do Baixo-Tocantins. Os escritores e professores Paulo Nunes e Rusevelt Santos vão destacar a importância dos homenageados para a literatura e para a luta contra o racismo na Amazônia. A Alanin conta com 40 cadeiras, sendo 20 para reverenciar escritoras e 20 para distinguir escritores, preferencialmente, os que nasceram no Pará e na Amazônia. Cada membro da Academia esco...

Trem, terra e mandioca

“Bragantina: um trem, a terra e a mandioca”, trabalho de 1991 que só agora chega ao grande público. A autora, Maria de Fátima Carneiro da Conceição, é doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo, fez mestrado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e é graduada pela Universidade Federal do Pará. Desde criança tinha fascínio pela história da estrada de ferro que cortava o seu município, Castanhal. Todos os dias o trem fazia a ligação entre Bragança e Belém, transportando passageiros e cargas agrícolas. Fátima Carneiro desenvolveu o projeto de pesquisa e defendeu sua dissertação de mestrado na Unicamp. O trabalho revela a relação dos pequenos agricultores que tinham como um de seus principais produtos a mandioca, matéria prima da farinha, que é parte do cardápio alimentar das famílias da região bragantina. A construção da ferrovia EFB começou no final do século 19, ainda no período do Império, e foi inaugurada em 1908. A autora analisa as relações de trabalho no meio rur...

Dalcídio, Claudio e Rafael reverenciados pela Alanin

A biblioteca da Alanin já tem nome: Cláudio Cardoso. Uma justa homenagem ao incansável incentivador do livro e da leitura. A decisão foi tomada no último dia 22/10, durante a aprovação do Regimento Interno da Academia de Letras de Ananindeua (Alanin). Que também aprovou o nome do músico e compositor Rafael Lima como sócio honorário "post mortem". Também foi aprovado o nome da revista anual da instituição, que será "Letras de Alanin". A reunião aconteceu à noite, no CCFC (Centro Cultural de Formação Cristã). Na assembleia geral de fundação da instituição, no dia 26 de setembro, foi escolhido também o patrono geral do silogeu, que por aclamação recaiu no nome do imortal Dalcídio Jurandir.

A reação da periferia

(Paulo Roberto Ferreira) A professora subiu no ônibus e duas quadras depois embarcaram três adolescentes. Havia muitos assentos livres, mas os meninos não se sentaram e nem se aproximaram da catraca. Dois ficaram na retaguarda e um chegou mais perto do cobrador. A professora olhou para trás e viu que um dos garotos era seu aluno. Ele percebeu, virou o rosto na direção de seus companheiros e a voz saiu gutural: - Sujou. Na parada seguinte os jovens desceram, correram por trás do coletivo e se esquivaram por uma travessa, desaparecendo da vista dos passageiros e do condutor do veículo, que ainda os acompanhou pelo retrovisor. A professora e outros viajantes do transporte urbano suspiraram aliviados. E o trocador expressou o sentimento dos que pressentiram o perigo: - Escapamos de um assalto! Passado o susto, aquela frase permaneceu ecoando na mente da professora Sandra. A sensação de fracasso abalou o ânimo da educadora. A viagem parecia não ter fim. Tão distante estava que passou do p...

Revista literária e o Prêmio Novos Escritores nos planos da Alanin

Ananindeua, o segundo município mais populoso do Pará e o quarto da região Norte, ganhou a sua Academia de Letras, no último dia 26. Nasceu para valorizar o livro e a leitura e tem como patrono geral um dos nomes mais respeitados da literatura brasileira: Dalcídio Jurandir. Aprovado o Estatuto e escolhida a primeira diretoria, a Academia de Letras de Ananindeua (Alanin) contará com 40 cadeiras e cada acadêmico terá um patrono ou patronesse. A lista é paritária e vai homenagear escritoras e escritores que se destacaram no cenário literário do Pará, da Amazônia e do Brasil. Está nos planos da diretoria da Alanin a edição de uma revista literária e a criação do Prêmio Novos Escritores. O presidente eleito, poeta José Maria Andrade Filho, explica que a sociedade clama por uma identidade sociocultural e a literatura é essencial para que isso aconteça. “É imprescindível à sociedade, além do acesso à leitura, ser agente criador e recriador das artes da escrita”, diz. Jetro Fagundes, também i...