Pular para o conteúdo principal

Postagens

Acontece cada uma!

Acontece cada situação inusitada em nossas vidas! Nesta semana o meu filho teve que enfrentar a incômoda presença de uma rã dentro do carro. Foi uma luta para se livrar do anfíbio, desde o início da manhã. Tentou de todo jeito, mas o pequeno animal saltava e se esquivava do perseguidor. Sem outro jeito, foi deixando passar as horas, até que já no início da noite, quando retornava para casa, deu carona para sua prima, que quando se deu conta da presença da indesejável passageira, fez o maior barulho, mandou parar o carro e saiu gritado: - Mata, Tiago, mata, mata... Um grupo de pessoas que caminhava no passeio, ficou assustado, parou e ficou olhando a moça assombrada e descabelada que não parava de repetir a frase. Com a porta aberta, o condutor do veículo conseguiu afugentar a perereca, que saltou para fora do carro e caiu justamente em cima da jovem. Ela se apavorou mais ainda e soltou todos os palavrões que lhe vieram à boca, contra o inofensivo caçote. Os transeuntes continuaram as...

O Apagador de Florestas - Resenha

Armando Diniz Guerra Prof. Dr. do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares/UFPA Conheci Paulo Roberto Ferreira nos finais dos anos 80 do século passado, nos corredores do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, o NAEA da Universidade Federal do Pará. Fazíamos o Mestrado em Planejamento do Desenvolvimento em turmas diferentes, mas sabíamos dos projetos uns dos outros. Ele fazia algo ligado ao trabalho assalariado, não me lembro mais sob que orientador. Depois ouvi muito falar bem dele pela professora Violeta Loureiro, por conta dele lhe ter cedido todas as entrevistas que fizera com Quintino, camponês justiceiro da região de Viseu, abatido pelas forças policiais do então Governador Jader Barbalho. Voltei a encontrá-lo trabalhando na TV Cultura do Pará e encontrei, na Biblioteca da Embrapa, seu livro sobre Felisberto Camargo. Depois disso assisti, na TV Cultura, uma longa entrevista feita por ele a Emeleocípio Botelho de Andrade, ex-chefe da Embrapa Trópicos Úmidos, sobre o mesmo ...

Mausoléu do Bondinho

Em ano de eleição municipal a expectativa era grande. Tinha até bolão para saber quem acertava o resultado: liberação ou manutenção do aprisionado bondinho. Tinha sempre um candidato que prometia alforriar o vagão turístico; contava com muitos simpatizantes e aparecia bem na corrida em busca de votos. De outro lado, muitos eleitores apoiavam o postulante que anunciava manter o bondinho encarcerado. O tema dividia a cidade em duas grandes torcidas, semelhante aos clássicos de futebol: Palmeiras e Corinthians; Vasco e Flamengo; Grêmio e Internacional; e Remo e Paysandu. Na pauta das eleições, os outros problemas da cidade eram tratados de forma secundária. O que mobilizava, o que atiçava mesmo os militantes dos partidos era o destino do bondinho. Os discursos polarizavam-se: contra e a favor da circulação do veículo. Formaram-se as torcidas organizadas. Paixão do Bondinho, Nação James Bond eram as dos fanáticos pela liberação do veículo. A favor do enclausuramento, a Charanga da Masmo...

Lei Anilzinho – a lei do posseiro - Experiência de resistência dos camponeses do Baixo Tocantins

A organização dos trabalhadores rurais no Pará criou uma lei que não passou por nenhum parlamento oficial nem foi promulgada por qualquer representante do poder executivo. Foi aprovada pelos lavradores e cumprida por eles mesmos. Virou uma referência para o movimento de luta pela terra no Brasil. A “Lei Anilzinho”, foi instituída num encontro na localidade de Anilzinho, município de Baião, na região do Baixo-Tocantins, nos dias 8 e 9 de julho de 1980. O evento reuniu lideranças de posseiros e pequenos produtores e estabeleceu as regras para resistir e lutar contra os grileiros, que expulsavam e tomavam conta das terras. O registro deste acontecimento foi feito no jornal “Resistência”, edição número 15, de agosto de 1980. A matéria foi escrita por José Maria Souza, professor da UFPA e assessor da Fase Amazônia Oriental. Ilustrada por Lucídio Oliveira Monteiro a narrativa revela que grileiros de terra expulsaram diversas famílias de agricultores que viviam, em sucessivas gerações, em to...

Docudrama sobre a entrada da semente de café em Vigia de Nazaré

Com roteiro do jornalista paraense Nélio Palheta e do cineasta português José Borges “A semente do ouro negro” já está disponível no Youtube. O docudrama (documentário + dramatização) teve locações em Belém e no município de Vigia de Nazaré, região nordeste do Pará. Revela a história da missão do sargento-mor Francisco de Mello Palheta à Guiana Francesa, envolta em lendas e romance para trazer a planta do café, A ordem no território francês não permitia que a bebida, bem como sementes e plantas pudesse chegar ao domínio português. Além do Pará, o filme tem locações no Rio de Janeiro, na cidade do Porto, Paris e na Etiópia. Da colheita à torrefação artesanal na localidade de Itapoá (Vigia) a película mostra o processo industrial do café na Nestlé de Portugal. O radialista Paulo Brasil interpreta Francisco Palheta e o poeta José Ildone Soeiro fala das várias versões sobre a tática do funcionário do governo brasileiro para trazer o café, além da hipótese que o cultivo da planta começou pr...

Antes da cobertura do vestibular de 1981

Hoje é dia de recordar do tempo em que eu trabalhava no jornal O Liberal e convivia com companheiros da rádio e TV do mesmo grupo empresarial, no início dos anos 1980. Fomos convocados para uma foto ao lado do prédio da TV, na avenida Nazaré, num domingo, bem cedo, em que se iniciavam as provas do vestibular para a Universidade Federal do Pará, em 1981. Aqui nesta foto estão apenas uma parte das equipes dos três veículos de comunicação. Como o horário combinado foi pela manhã, o pessoal dos turnos da tarde e noite não pode comparecer. Com a ajuda do cinegrafista José Carlos Raiol (o Grelha), consegui identificar boa parte da nossa turma. De pé - Alexandre Lima (fotógrafo do jornal); Caneco (filho do Odorico); Eurico Alencar (também fotógrafo do jornal); Waldemar Feitosa (chefe de reportagem da TV); Paulo Graça (cinegrafista); Marcos Pinheiro (cinegrafista); José Carlos Raiol (cinegrafista); Peter Roland (cinegrafista); Antenor dos Santos; Jimo Cupim; Edson; Gouveia Jr (cinegrafista);...

36 anos da entrevista com Quintino e a resistência camponesa no Alto Guamá

Eu nem lembrava que foi no dia primeiro de agosto de 1984 que publiquei, no jornal O Liberal, a primeira entrevista com Quintino Silva Lira, líder dos posseiros da Gleba Cidapar, que reagiu à grilagem de terras e organizou um grupo para resistir aos pistoleiros da região da Pará-Maranhão (rodovia BR-316) entre os rios Guamá e Gurupi. Quem me ajudou a recordar aquele trabalho foi a pesquisadora Juliana Patrizia Saldanha de Souza, de Santa Luzia do Pará, mestra em Linguagens e Saberes na Amazônia pela Universidade Federal do Pará. Acompanhei desde 1983 aquele conflito fundiário que envolvia 10 mil famílias de pequenos agricultores e empresas agropecuárias, numa área de 387 mil hectares. Compartilho aqui a postagem que a Juliana fez sobre o nosso encontro virtual, em 15/08/20. As fotos são do repórter-fotográfico Alexandre Lima, durante uma de nossas reportagens na Gleba Cidapar, um ano antes da entrevista, em 25 de setembro de 1983. Diário de uma Pesquisadora: QUINTINO LIRA e eu! ...